Depois da euforia o que ficou da Web Summit?

Como é sabido “O” evento Web Summit terminou no passado dia 10.11.2016. Depois dos 4 dias de euforia anestesiante escreveu-se e rescreveu-se o que se passou, falou-se dos discursos, fizeram-se resumos dos acontecimentos e, inevitavelmente, a avaliação de quem opina sobre a Web Summit. Uma dessas opiniões é inquietante com a sua “visão pessimista”: a Web Summit não vai trazer nada a Lisboa, a não ser o turismo em novembro. Nada vai mudar em Lisboa, alguém o disse.

Será que se profetiza a desgraça? Não sei … sabemos que não há milagres, portanto, vamos colocar os pés no chão e “sonhar”. Sonhar com a realidade tangível, sonho “fazedor das coisas” e não feito de meras palavras que, essas, leva-as o vento.

Ora, a Web Summit aconteceu em Lisboa (Portugal). Facto que trouxe algum(uns) “caos” à cidade, por exemplo, no Metropolitano de Lisboa. Foi difícil … mas lá se passou. Pois, o acréscimo de mais de 53.000 pessoas na mesma cidade a convergirem, quase todas elas, nos mesmos dias, sensivelmente à mesma hora, para o mesmo local, só pode tornar aceitável o facto dos transportes estarem apinhados com o intenso tráfego humano! Certo?

A Web Summit não muda Lisboa! Li-o numa “notícia” sobre o assunto. Será que a Web Summit não muda Lisboa? Como é que “O” evento pode mudar Lisboa? Pode e começa por já ter começado a mudar … mudou a perceção de Lisboa no mundo da globalização, pois, estiveram em Lisboa participantes oriundos de 166 países. Muitos não sabiam onde se situava Portugal no mapa-mundo ou, talvez, sequer que Portugal existia. Outros podem ter ouvido falar mas nunca cá tinham estado, como Joseph Gordon-Levitt – o famoso ator norte-americano – orador na Web Summit, confessou que não conhecia Lisboa.

Joseph Gordon-Levitt
Joseph Gordon-Levitt

A Web Summit muda Lisboa, também, na perspetiva ganha-se com isso … Sim, palavra passa palavra, publicidade versus marketing, gratuitos. Com a Web Summit estamos a promover turisticamente Lisboa (não será só turismo em novembro!), estamos a promover Portugal a todos os níveis. Não esqueçam o “esforço” que se faz para atrair os turistas e o investimento a Portugal. Se temos essa generosidade natural de ser um país à beira mar plantado, um clima maravilhoso e sermos anfitriões natos, porque não aproveitar esta oportunidade de todas as maneiras possíveis para nos publicitar a todos os níveis? Porquê ver a Web Summit em Lisboa como Lisboa sendo “a vítima” mudou-se, a Web Summit, de Dublin para Lisboa para a exploração … porque estavam fartos do frio, porque a vida cá é barata, boa comida a preço low cost, etc. Enfim … é a realidade, não o “ser vítima” mas, ter uma economia em esforço, é a realidade. Se assim é, porque não tirar o melhor partido da Web Summit?

Os portugueses já deram ao mundo novos mundos … agora a caravela pode ser uma Startup, ou outra, os ventos são os da tecnologia e o mar é a imensidão da net. Portugueses, terra nostra, “sonhem”, arregacem as mangas e trabalhem. Arregacem as mangas e trabalhem no mundo da Web Summit, no mundo da tecnologia, porque muita “magia” pode daí vir, os portugueses são capazes do nada e, do nada, por vezes, fazer nascer o tudo – fogo à peça no infindável mundo da tecnologia que aportou em Lisboa em novembro de 2016.

Publicado por

editorial

Helena Navalho é jurista. Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras e em Direito pela Faculdade de Direito (Universidades de Lisboa) e vem falar da ferramenta jurídica que está presente no quotidiano do cidadão comum.

2 pensamentos em “Depois da euforia o que ficou da Web Summit?”

  1. Gostei muito!….e concordo plenamente com o texto do artigo. Tive o privilégio de assistir ao frenesim que foi, durante os dias do evento, na estação do Oriente…é pena que não seja assim o ano inteiro!… Bem gostaria que Lisboa tivesse mais vida para além do turismo.

    1. Obrigada Emília Prata.
      Espero que o Editorial Jurídico corresponda às tuas expetativas futuras.
      O Editorial solicita a tua colaboração, opiniões e sugestões, só assim pode ir melhorando.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *