Afinal o SIRESP também colapsa quando há tempestades, não é só nos incêndios …

Já foi admitido, o SIRESP colapsa mesmo

O SIRESP “moribundo” desde a nascença

O Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) também colapsa quando há tempestades, não é só nos incêndios. O SIRESP colapsa mesmo.

O SIRESP colapsa numas alturas, nomeadamente nas emergências como intempéries e incêndios, e, não funciona noutras.

Fonte sol.sapo.pt

O SIRESP está “moribundo” desde a nascença, o Editorial Jurídico disse-o em junho aquando dos incêndios de Pedrogão Grande.

A rede SIRESP usada pelas forças de segurança, e alguns serviços de segurança, e pelos bombeiros não vai abaixo só nos incêndios, como aconteceu recentemente nos fogos de Pedrógão ou de Mação, o SIRESP também colapsa quando há intempéries.

Fonte cm.pt

O SIRESP não está preparado para fazer aquilo para que foi concebido, o SIRESP não está preparado para a SEGURANÇA e EMERGÊNCIA, o SIRESP está “moribundo” desde a nascença.

O Jornal de Notícias e o Diário de Notícias, entre outras fontes informativas, já o disseram esta semana, o SIRESP também colapsa quando há tempestades, não é só nos incêndios. É verdade o sistema, que custou cerca de 500 milhões de euros (diz-se por aí, mas na verdade custa mais) não está preparado para a emergência dos incêndios, também, não está preparado para aguentar tempestades e colapsa praticamente todos os anos.

Mas o Estado nunca exigiu o pagamento de penalidades à empresa que opera a rede (veja em http://www.jn.pt/nacional/interior/siresp-tambem-colapsa-quando-ha-tempestades-8688984.html e em http://www.dn.pt/portugal/interior/siresp-tambem-tambem-falha-quando-ha-tempestades-8689370.html).

Mais, O SIRESP está criado para “absorver” dinheiro ao Estado, segundo noticiou o Observador, em 26.06.2017, “A operadora Siresp, que gere o SIRESP, pagou mais de 6,67 milhões aos seus accionistas, em dividendos, em 2016. No ano anterior, a empresa registara lucros de três milhões.” E, é isto que interessa … não a rede SIRESP, não a rede de emergência e segurança?!

Pois, o SIRESP, por vezes, até em situações de operacionalidade normal não funciona, isto é dito com conhecimento de causa, pois, a editora já teve oportunidade de referir em post anterior que trabalhou na Assessoria Jurídica da Direção-Geral de Infraestruturas e Equipamentos (DGIE) do Ministério da Administração Interna (MAI) quase 14 anos (recorde o artigo sobre o SIRESP publicado pelo Editorial a 25 de julho).

A DGIE era a gestora do contrato SIRESP por parte do MAI, este, organismo público, foi formalmente extinto em dezembro de 2014, pelo governo do então primeiro ministro, Passos Coelho. E, na DGIE a editora, ouvia desabafos de quem operou, e ainda opera, com a rede SIRESP (em grande medida as forças de segurança, PSP e a GNR). Alguns elementos das forças de segurança queixavam-se da rede, queixavam-se que ela, por vezes, não funcionava nem em situações de normalidade operacional, confessavam, nessas situações acabavam por utilizar a sua própria rede.

Outrossim, bem recentemente, no dia 8 de junho, em conversa com um agente da PSP, numa esquadra da PSP pertencente ao Concelho de Cascais, agente que o Editorial não identificará por razões óbvias, confessou que muitas vezes no quotidiano operacional têm que recorrer à rede interna da PSP, porque a rede SIRESP não funciona.

“Quem de direito” nunca deu ouvidos àqueles que trabalham diária e constantemente com a rede SIRESP e seus terminais (sejam forças de segurança, bombeiros ou outros que partilham a rede), não se escuta quem está no terreno!?!

De acordo com a notícia do Diário de Notícias on line, a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, informou, em 27.07.2017, no parlamento, que o Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança em Portugal (SIRESP) falhou 284 horas em 2013.

E falhou em 2012 (143 horas), falhou em 2014, muito embora a expressão das falhas não tenham sido muito significativas (de acordo com um documento do MAI a que a Lusa teve acesso).

Portanto, a ilação que se retira daqui é, exatamente, a de que o SIRESP falha, o SIRESP colapsa. O SIRESP colapsou em 2015, em 2016 (no concelho do Sardoal) e colapsou brutalmente em 2017, desde o fatídico mês de junho e Pedrogão Grande.

O SIRESP falhou, é a notíciaA informação é oficial e irrefutável.

A ministra da Administração Interna assumiu aquilo que todos os profissionais que operam diariamente a rede SIRESP, em situações de segurança e emergência ou não, já o sabiam.

Fonte rtp.pt

Não admira, pois, que se leia no “Blog do Saraiva” “(…) O SIRESP tal como está instalado serve apenas para redes de transporte de mercadorias, nunca para segurança, emergência, e muito menos para acidentes graves ou catástrofes por falta de fiabilidade da ligação entre TBS e alimentação elétrica, bem como pela limitação do número de canais disponíveis. O SIRESP é hoje menos fiável do que a rede de telemóveis que muitos casos já tem feixes hertzianos entre BTS`s (…)” (consulte em http://joaosaraiva112.blogspot.pt/2017/07/a-minha-conclusao-sobre-pedrogao-grande.html).

Já aqui se disse que o Estado nunca exigiu o pagamento de penalidades à empresa Siresp, empresa que opera a rede.

A editora acabou de ver nos noticiários da RTP, Sic e TVI que a ministra da Administração Interna mandou a Secretaria-Geral do MAI aplicar penalidades contratuais à operadora Siresp, empresa que opera a rede SIRESP, pelas falhas na rede, bem como mandou instaurar um inquérito na Secretaria-Geral do MAI para apurar as responsabilidades internas, porque, segundo a ministra, na Secretaria-Geral também houve falhas. Vamos ver se a culpa “não morre solteira”.

O Editorial Jurídico quer acreditar que tal determinação, prevista contratualmente, será aplicada, pois já em janeiro de 2013, houve falhas na rede SIRESP durante o temporal, o então ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, em declarações à TVI afirmou que “obviamente” seriam aplicadas multas à operadora Siresp por quebra contratual (veja em http://www.tvi24.iol.pt/73/sociedade/mau-tempo-siresp-governo/1413820-4071.html).

Fonte rr.sapo.pt

Mas, o “obviamente” de Miguel Macedo não foi assim tão óbvio, porque as penalidades nunca foram aplicadas à operadora Siresp, cujos acionistas continuam a receber chorudos dividendos.

Voltaremos em breve.

Publicado por

editorial

Helena Navalho é jurista. Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras e em Direito pela Faculdade de Direito (Universidades de Lisboa) e vem falar da ferramenta jurídica que está presente no quotidiano do cidadão comum.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *