A revolução dos cravos

25 de abril

Em memória dos opositores e resistentes ao regime da ditadura

Para que não esqueçamos o passado vivido, de quem viveu, na luta, na dor, no sacrifício e na tortura física duma liberdade ausente, e não lembrada nem vivida, mas desejada, de vidas esquecidas que nos trouxeram até ao presente, para no futuro não voltar a viver! Liberdade … Liberdade … Democracia, futuro, não voltes ao passado da ditadura que amordaça e silencia a Liberdade.

Foto Cravos 25 de abril 2018

Antes uma democracia imperfeitamente feita do que …

Caro leitor, nas comemorações do 25 de abril de 2018, o Editorial Jurídico não pode deixar de assinalar a memória esquecida dos que passaram pela prisão do Aljube e horrores viveram para nos presentear com os trilhos traçados e que ajudaram a conduzir ao 25 de abril de 1974.

Dedica-se, pois, este artigo, também, ao Museu do Aljube – Resistência e Liberdade. Museu que se dedica à história e à memória do combate à ditadura, bem como à resistência em prol da liberdade e da democracia.

Foto Museu do Aljube – Resistência e Liberdade

Museu histórico que valoriza a memória de luta contra a ditadura na construção da cidadania que adota a luta contra o silêncio mordaz, luta contra o silêncio que desculpabiliza e é cúmplice do regime ditatorial em que viveu Portugal de 1926 a 1974.

O nosso Portugal viveu 48 anos em regime ditatorial, na ditadura militar (1926 a 1933) e com o Estado Novo (1933 a 1974) que se alicerçaram no desmembramento do Estado liberal e no “desfalque” ao sistema parlamentar multipartidário e do sindicalismo livre. Edificaram a censura prévia, fizeram uso da justiça sumária para julgar os opositores, muitas vezes sem julgamento, presos apenas porque sim. Presos em cadeias privativas das polícias políticas ou deportados para vários campos de concentração espalhados pelo império português. Daí a clandestinidade e com ela a repressão desmesurada das opiniões, das dúvidas e das críticas ao regime.

Como se retira dos escritos do Aljube “A resistência ao regime ditatorial manifestou-se, através de revoltas, de greves e de propaganda clandestina. A resistência republicana e socialista desencadeou mais de uma dezena de intentonas e revoltas entre 1933 e 1940. Após 1929 o partido comunista português desenvolveu uma intensa luta clandestina … Mas foi nos anos 70 que se acentuaram as contradições políticas e se criaram as condições para a reposição das liberdades em 25 de abril de 1974.”

Durante a resistência o preso era conduzido às prisões políticas, onde era submetido a processos de intimidação e, quase sempre, de profunda tortura física e psicológica, para declarar a sua “culpa” ou para denunciar companheiros de luta e redes a que pertenciam. Da intimação e tortura faziam parte os curros (ou gavetas). No Aljube existiam 14 curros, isto é, minúsculos compartimentos cujo tamanho era aproximadamente 1 x 2 metros, sem quaisquer condições de salubridade e de luz.

Foto Museu do Aljube, os curros

Os curros eram muito, quase sempre, utilizados antes dos presos serem levados a interrogatório. Por vezes, permaneciam ali, no Aljube, à ordem da polícia, por tempo longo e indeterminado.

A par disto, ao fim de 13 anos de guerra colonial, o regime ditatorial mostrou-se inútil e incapaz de encontrar uma solução.

Depois de 48 anos de ditadura, por meio dos militares, cansados da guerra colonial e de grande e grave confrontação social, chegou a madrugada de 25 de abril de 1974 e com ela a reposição das liberdades. A reposição da Liberdade.

Em memória aos que combateram a ditadura! À memória dos que pereceram às suas mãos e à memória daqueles que contribuem, ainda hoje, para a memória viva e enriquecimento da história do Aljube, com os seus relatos vivos, bem como, à memória da resistência em prol da liberdade e da democracia, o Editorial posta este artigo.

Foto Museu do Aljube

Caro leitor homenageie os combatentes da ditadura, visite o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade (http://www.museudoaljube.pt/).

Viva o 25 de abril!

Viva Portugal!