O regresso dos “créditos agressivos” dos bancos

Crescimento económico e Natal sem “honestidade” podem trazer sobre-endividamento a muitas famílias

É verdade caro leitor o crescimento económico e o Natal trazem, sem moral, mais campanhas publicitárias similares às que conduziram muitas famílias ao sobre-endividamento durante a crise.

Foto Sic Notícias

O aproveitamento indecoroso de quem pode emprestar dinheiro (banca e outras entidades financeiras) para compras natalícias (crédito ao consumo) serve-se do alívio económico que as famílias portuguesas estão a sentir para de novo as asfixiar e encurralar nas dívidas.

Caro leitor tome cuidado antes de aceitar e embarcar num desses aliciamentos financeiros para comprar fácil.

Pense seriamente, várias vezes, no que esse crédito o afetará em termos de dívida se algo correr mal na sua vida económica.

Várias entidades têm alertado o regresso das ofertas “agressivas” de crédito especialmente nesta época antes do Natal, nomeadamente a DECO, existe um cenário semelhante ao que existia antes da crise financeira e que levou ao endividamento de muitas famílias, endividamento por vezes dramático para as famílias.

Pela informação da DECO percebeu-se que há muitas denúncias de consumidores que são confrontados com muitos e-mails a proporem crédito pré-aprovado. Essa prática era comum antes de 2007-2008 e já na altura foi muito contestada pelos defensores dos consumidores, pois esses comportamentos representam um incentivo ao endividamento pouco responsável dos consumidores.

Enviar uma proposta pré-aprovada de crédito sem qualquer pedido do consumidor, independentemente dos valores é voltar às campanhas “agressivas” de crédito, designadamente, pelos bancos.

Este tipo de publicidade é censurável e potencia o aliciamento das famílias numa época em que estas são sensíveis a comprar e, por consequência, potencia o endividamento excessivo das famílias, numa prática que num passado recente foi censurada pelo regulador bancário.

Foto namoradacriativa.com

Portanto, no momento que atravessamos de juros baratos e nova liquidez na banca, o problema, não são só os créditos pré-aprovados, mas também os cartões de crédito que são publicitados com juros muito baixos por meio de práticas publicitárias que, de acordo com a informação que circula, se intensificaram desde o outubro com o Natal à vista, além da promoção atentatória e tentadora de créditos automóveis e créditos à habitação.

Caro leitor atente ao mercado e pense: se não pediu nada e não procurou, então, porque lhe estão oferecer de mão beijada facilidades de crédito, lembre-se que as instituições de crédito não se interessam se tiver problemas familiares ou outros que o impossibilitem de cumprir os seus compromissos financeiros e vão exigir o seu cumprimento e a consequente liquidação da dívida.

Foto Público

Faça por ter um Feliz e Santo Natal sem ter por oferta um “novelo de problemas”.

Foto mulherportuguesa.com

FELIZ NATAL 2017

 

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editorial

Helena Navalho é jurista. Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras e em Direito pela Faculdade de Direito (Universidades de Lisboa) e vem falar da ferramenta jurídica que está presente no quotidiano do cidadão comum.

4 comentários em “O regresso dos “créditos agressivos” dos bancos”

  1. Boa tarde,
    Tenho um problema relativamente a algumas dívidas relativas a scuts , nas quais já vão em valores muito acima daquilo que eu posso pagar neste momento, e portanto as mesmas já se encontram nas finanças . E portanto estou a entrar em contacto convosco a fim de pedir algum contacto de algum advogado que me pode-se ajudar neste sentido , e saber valores de respetivos honorários.
    Aguardo uma resposta assim que vos for possível.

    Melhores cumprimentos.

  2. Boa tarde efetuei um contrato de cartão de credito barclayscard em 19-06-2008 entretanto por razões de imcumprimento efetuei um acordo de pagamento em 2013 ao qual não pude completar na integra esta semana recebi uma notificação(injunção) da secretaria Judicial Balcão Nacional de Injunções através da INTRUM JUSTITIA para pagamento de 3200 eur valor este já com 532eur de juros e 2502 eur de taxas de justiça.O valor inicial seria 2300+-de divida que me aconselha a fazer?

    1. Olá Luís Martins, não sei se percebi bem, suponho que a notificação da injunção vem mesmo do Balcão Nacional de Injunções e quem a intentou foi da Intrum Justitia. Se assim for, veja se sobre a data da divida já passaram 5 anos. Se passaram 5 anos os juros prescreveram. Se os juros tiverem precrito dirija carta registada com aviso de receção ao Balcão Nacional de Injunções e oponha-se à injunção com invocação da prescrição dos juros. E quanto a 2.502 € de euros e taxas de justiça parece-me um valor muito elevado. Não esqueça que a notificação da injunção tem que vir diretamente do Balcão Nacional de Injunções.

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